comunicação escrita

Comunicação Escrita

Desatar o Nó

5 Dicas para impulsionar a Comunicação Escrita

 

Começo com uma metáfora que também podia ser uma parábola:

 

Esta é a história de um casal que tomava o pequeno-almoço no dia em que cumpria as bodas de ouro.
A mulher barrou a côdea de pão com manteiga e passou-a ao marido, ficando com o miolo para si.
Pensou ela: «Tive sempre vontade de comer a melhor parte do pão, mas gosto muito do meu marido e, ao longo destes cinquenta anos, dei-lhe sempre o miolo.
Mas hoje quis satisfazer o meu desejo.
É justo que eu coma o miolo do pão pelo menos uma vez na vida.»
Para sua imediata surpresa, o rosto do marido abriu-se num largo sorriso, até que lhe disse:
– Obrigada por esta tua prenda, meu amor. Durante cinquenta anos, tive sempre vontade de comer a côdea do pão, mas como sempre gostaste tanto dela, nunca ousei pedir-ta!

 

Alexandre Rangel, O Que Podemos Aprender com os Gansos, Lisboa, Cultura Editora, 2018.

 

Avanço com uma história das palavras, mas que é real.

Esta pequena história ilustra um grande problema que existe nas organizações e fora delas: a falta de comunicação entre os diferentes atores. A arte da comunicação está em fazer com que as pessoas entendam e interpretem convenientemente as mensagens. Tudo é comunicação, dentro e fora das organizações.

Mas comunicar, seja em que contexto for, não é tarefa fácil.

Afinal, quem é que nunca travou antes de começar a escrever um e-mail? E apresentar um projeto? Qual vai ser a primeira frase? Como é que o problema pode ser apresentado? E as questões técnicas, como é que podem ser explicadas para serem compreendidas?

Seja num registo escrito ou numa exposição oral, se exercitar e dominar a escrita as ideias fluem de forma ordenada, viabilizando uma expressão mais natural, organizada e fluida dos conteúdos.

Por isso mesmo, partilhamos 5 dicas, ou estratégias, com o poder de impulsionar a comunicação escrita (transversal a todos os contextos e conteúdos):

 

1. A curiosidade não matou o gato

 

Seja um leitor ávido, daqueles que consome tudo o que lhe aparece à frente: boas histórias, menos boas, dramas, poesia, textos técnicos, ensaios, novelas… na diversidade é que está o ganho. Deambular, qual gato, por conteúdos diversos, além de alargar horizontes, potencia o sentido crítico e melhora a interpretação.

 

2. Tic-tac!

 

É a sensação de que o tempo avança e não sabemos como resolver «aquele» e-mail. Resolver problemas requer muitas vezes uma boa dose de criatividade. E essa criatividade não é um dom, é algo que se desenvolve e constrói. É pensar fora da caixa e muito além do ecrã! É não ter medo de arriscar e saber como usar as palavras para construir o texto. Mesmo num texto de comunicação em contexto profissional, a criatividade pode moldar a mensagem e torná-la apelativa e funcional.

 

3. A regra dos 3 tês

 

Mas não basta ter insights (iluminação, ideias boas). Mais importante ainda é aplicar a regra dos 3 tês na construção do texto: técnica, trabalho e talento. Uma mensagem eficaz exige procurar referências, criar, refazer, por vezes abandonar, voltar, (re)construir até «ficar em ponto de rebuçado»: fino, fluido e no ponto certo.

 

4. Sr. Arquiteto

 

A boa mensagem passa por fases de arquitetura do texto, desde: fazer o design do texto, construir os seus alicerces, pôr as ideias no lugar para depois organizar a casa / ou redigir o texto. Muitas vezes «menos é mais», por isso saber distinguir o acessório do essencial contribui para a arquitetura de uma comunicação escrita clara, concreta, concisa e focada. Fazer o esquisso antes de redigir é uma arma poderosa para o efeito comunicacional desejado.

 

5. Sintonia

 

O domínio dos conteúdos e das palavras (quer a nível gramatical quer a nível de significância) dá-lhe o à-vontade para estruturar o texto, ser focado na resposta/texto, ser claro, sintético, assertivo e correto, é atingir a melhor sintonia entre o que se escreve e o que se deseja ler. Assim poderá mais facilmente chegar ao cliente. Com uma boa história, capta a ATENÇÃO das pessoas. Com a atenção, gera INTERESSE. Com o interesse, conduz ao DESEJO. E com o desejo, gera AÇÃO.

 

A escrita e a arte de comunicar norteia a atitude do falante. Este só precisa de utilizar com engenho e arte as palavras que estão ao seu dispor, desatar o nó da mensagem escrita e ser capaz de a produzir com destreza e clareza desejadas.
Um processo de gestão da comunicação profissional podia começar exatamente por aqui, pelo uso das palavras certas para a criação de uma história. E, depois, fazer acontecer (ou comunicar).

Dizia Almada Negreiros: «Nós não somos do século de inventar as palavras. As palavras já foram inventadas. Nós somos do século de inventar outra vez as palavras que já foram inventadas.» (José de Almada Negreiros, Poesias -Obras Completas, 1971).
E tem razão! Temos as ferramentas (as palavras (re)inventadas), sabemos o que precisamos, mas muitas vezes não sabemos como fazer.

 


 

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Comunicação Escrita 1

Escrito por Laura Mateus Fonseca,
Formadora Certificada InPar, Professora e Gestora de Projetos
Publisher independente

 

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